10 de julho de 2017

Reinos são tristes fardos


Angela Lago trouxe hoje uma boa provocação/reflexão. Sua leitura/síntese para o poema KINGDOMS ARE BUT CARES, atribuído a Henrique VI da Inglaterra. As quadras mostram-se ainda atuais. Fiz também uma tentativa.

Reinos são tristes fardos;
Encargos sem permanência;
Riquezas apertados laços
Que levam à decadência.

Prazer é um formigamento
Que o vício docemente acalenta;
Repentina pompa; a fama, uma chama;
Poder? Fúmida fumaça lenta.

Quem se lança a remover o rochedo
Do lamaçal imundo,
Terá a si mesmo, lamentavelmente, preso
Ao gorgolejo profundo.

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Kingdoms are but cares;
State is devoid of stay;
Riches are ready snares,
And hasten to decay.

Pleasure is a privy prick
Which vice doth still provoke;
Pomp unprompt; and fame, a flame;
Power a smouldering smoke.

Who meaneth to remove the rock
Out of the slimy mud,
Shall mire himself, and hardly scape
The swelling of the flood.

A palavra "formigamento" tomei do vocabulário sensorial de Angela Lago, para os termos que pensei traduzir visualmente como "ferida oculta".

P.S. Leo Cunha animou-se e apresentou, em roda, a terceira versão para as três trovas de aconselhamento: